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5 BANDAS / ARTISTAS #8 (02/19)

 

A série 5 Bandas/Artistas é uma forma de apresentar ao público alguns grupos nacionais que foram considerados dignos de nota pela edição do Road To Cydonia.

Misturando estilos e sonoridades, a lista tem como intuito a difusão de tais grupos de forma econômica e direta, assim como incentivar a troca de informações sobre talentos que têm dado as caras no nos últimos tempos. Retomando as atividades do site em 2019, vamos à oitava edição:

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GAROTAS SUECAS (SP)

Se há uma maneira de definir o quarteto paulistano Garotas Suecas de forma sucinta, essa seria “Divertido pra cacete.” Misturando Funk, Soul e Garage Rock, o grupo adota uma estética colorida e multifacetada (sonoramente e visualmente) para desenvolver um trabalho expansivo e extremamente dinâmico que se revela coeso e pulsante em medidas equivalentes. Tendo passado por diferentes fases em função de reformulações na sua formação, o grupo impressiona pelo vigor e pela consistência de sua obra, misturando uma verve altamente charmosa com uma espirituosidade invejável.


Com três ótimos discos (Escaldante Banda, Feras Míticas e Futuro do Pretérito) mais um apanhado de EPs em seu repertório e uma carreira marcada por turnês em múltiplos continentes (incluindo apresentações em festivais como SXSW e Bumbershoot) e parcerias pontuais com ícones da música brasileira (como Paulo Miklos e Elza Soares), o grupo formado em 2005 figura como um dos grupos musicais mais empolgantes em atividade no Brasil que vem crescendo em maturidade e ambição. Banda obrigatória para todos aqueles que curtem um som de qualidade.



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FRANCISCO, EL HOMBRE (SP)

Tão curioso e fascinante quanto seu nome, o grupo paulista Francisco, El Hombre é um daqueles conjuntos que, de uma forma ou de outra, causa impacto desde o primeiro contato e gradativamente se assenta com vigor na mente do ouvinte. Com uma apresentação exuberante e uma sonoridade que pode ser descrita como uma espécie de “Pop Folk Latino Lisérgico”, o quinteto faz uma grande salada mista de idiomas, timbres e estéticas sonoras para desenvolver um trabalho parrudo que se situa entre a solenidade elegante de um Edward Sharpe & The Magnetic Zeros e a visceralidade explosiva de um Gogol Bordello.


Misturando folclore, lirismo e crítica social de forma admirável, o grupo tem dois EPs, um álbum (o apoteótico Soltasbruxa) e uma extensa relação de apresentações nacionais e internacionais no currículo, se firmando como um conjunto corajoso de potência assombrosa e criatividade aparentemente ilimitada que vem crescendo a passos largos em visibilidade e renome no circuito latino-americano. Recomendado para aqueles que desejam conhecer um som rico, repleto de vivacidade e com um senso de autenticidade inquestionável.



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MOMBOJÓ (PE)

O Mombojó é o exemplo perfeito de um grupo “guerreiro”. Com uma história que beira duas décadas, cinco discos no currículo (incluindo os excelentes Amigo do Tempo e Alexandre) e uma sonoridade que mistura indie, rock alternativo e elementos de manguebeat de forma surpreendentemente eficaz, o quinteto pernambucano é um dos exemplos mais claros do nível de qualidade encontrado no circuito pernambucano contemporâneo, figurando também como uma das melhores bandas nacionais que ainda não alcançaram o devido reconhecimento aos olhos do grande público.


Dono de um histórico vasto de shows em circuitos underground e participações em diversos festivais (mais expressivamente, o Abril Pro Rock), o grupo vem trilhando o caminho das pedras munidos de uma mescla altamente característica de arranjos incisivos com letras poéticas, traços tipicamente regionais e constante alternância entre melancolia e tensão. Podendo ser considerado um dos exemplares mais versáteis e inconfundíveis do atual circuito independente, o Mombojó é um grupo cult que merece ser amplamente difundido em meio a todos que desejam conhecer um som original e altamente contundente.



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BOOGARINS (GO)

Maior expoente da onda neopsicodélica que tem crescido no circuito musical nacional ao longo da última década, o quarteto goiano Boogarins é também um de seus exemplares mais magnéticos e interessantes. Dono de uma sonoridade que mescla Rock Psicodélico com Garage Rock de forma fantástica (imagine uma fusão entre Mutantes e Tame Impala), o grupo constantemente impressiona pela forma com que emprega seu acervo de timbres, efeitos e texturas para promover a imersão do ouvinte em paisagens sonoras densas sem jamais perder seus contornos mais popescos, formando um equilíbrio delicado entre experimentação e acessibilidade.


Alçado ao posto de promessa da música brasileira desde seu surgimento, o conjunto vem correspondendo às expectativas através da construção de uma discografia invejável (que inclui os ótimos Manual e Lá vem a Morte) e de um currículo repleto de passagem por circuitos nacionais e internacionais de destaque (incluindo os festivais SXSW, Primavera Sound, Lollapalooza e Coachella) rumo à consolidação como um grupo seminal da música brasileira nos anos vindouros. Recomendado para todos aqueles que desejam conhecer um grupo revigorante, empolgante e de futuro promissor.



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O TERNO (SP)

Recorrentemente notado como um dos melhores conjuntos de Rock brasileiro da atualidade, O Terno é um grupo peculiar que faz jus à alcunha que carrega: Com uma sonoridade retrô altamente elaborada (que pode ser descrita como um Pop Rock repleto de alusões tímbricas) e uma estética que beira o cartunesco (imagine uma banda saída diretamente dum filme do Wes Anderson), o trio paulista impressiona pela forma com que cria um delicado equilíbrio entre reverência e originalidade ao mesmo passo em que mascara a densidade e o preciosismo que permeiam seus trabalhos por meio duma apresentação despojada que atrai o ouvinte e torna a assimilação de sua (complexa) obra um processo admiravelmente leve e prazeroso.

Munido de três discos impecáveis (66, O Terno e Melhor do Que Parece) e uma trajetória marcada por uma crescente vagarosa e constante, o grupo representa hoje um dos melhores exemplos de coesão, elegância e inteligência aplicada na Música Brasileira (basta notar como a enganosa - e deliberada - percepção de simplicidade em torno de seu trabalho soa quase como um truque de deflexão). Recomendado para todos aqueles que desejam conhecer um grupo de qualidade insuspeita que sabe brincar com a própria imagem na mesma medida em que desenvolve sua carreira com seriedade absoluta.



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Dúvidas? Questionamentos? Recomendações? Participe enviando um email para roadtocydonia@gmail.com e fique de olho nas próximas postagens. Até a próxima edição.

Guilherme Guio
Guilherme Guio
Publicitário, especialista em Comunicação Corporativa e Inteligência de Mercado, é o editor e redator principal do RTC. Atuando como consultor de Marketing Cultural na produtora cultural SERENA (da qual é sócio), resolveu dar vazão aos seus arroubos verborrágicos através deste projeto. Também é tabagista compulsivo, cinéfilo inveterado, adepto de audiófilo e dançarino amador vergonhoso nas horas vagas.

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