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5 BANDAS / ARTISTAS #9 (02/19)

 

A série 5 Bandas/Artistas é uma forma de apresentar ao público alguns grupos nacionais que foram considerados dignos de nota pela edição do Road To Cydonia.

Misturando estilos e sonoridades, a lista tem como intuito a difusão de tais grupos de forma econômica e direta, assim como incentivar a troca de informações sobre talentos que têm dado as caras no nos últimos tempos. Continuando a retomada em 2019, vamos à nona edição:

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CÂMERA (MG)

O quarteto mineiro Câmera é um grupo de vibe estranha, e isso é um senhor elogio. Com uma sonoridade discreta que pode soar repetitiva ou derivativa para os desatentos, o grupo recorrentemente surpreende com sua proposta perspicaz de misturar vocais suaves e linhas de guitarra discretas em meio a timbres mais agressivos e harmonias ricas que frequentemente se encontram reforçadas por arranjos criativos. O resultado é um som imersivo e viajandão que consegue a proeza de oferecer um clima relaxante para o ouvinte ao mesmo passo em que o instiga de forma quase imperceptível com tais elementos inusitados.


Tendo dois compactos (Not Tourist e Invisible Houses) e um disco (o intrigante Mountain Tops) debaixo do braço, o Câmera tem se deparado com o crescente reconhecimento da crítica e do público e vem despontando como um dos expoentes da sensacional cena independente belo-horizontina. Recomendado para aqueles que desejam conhecer um grupo de rock alternativo que não tem medo de levar seu tempo para desenvolver um som coeso e de classe.



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AUDAC (PR)

Curto e grosso: o Audac é aquele tipo surpreendente de projeto que tinha tudo para cair no lugar-comum, mas (felizmente) acabou dando certo ao desenvolver uma identidade própria. Empregando uma estética ancorada no indie rock e no eletrônico (dois gêneros que tem sido explorados à exaustão), o grupo curitibano pode ser confundido à primeira vista como mais uma daquelas inúmeras bandas de indietronica que tentam desenvolver uma sonoridade cool e moderna, mas definitivamente não é o caso.


Desenvolvendo um trabalho notavelmente preciso em sua proposta, o grupo acerta na medida entre coesão e experimentação para criar um som discreto, econômico e extremamente climático que ainda se beneficia imensamente dos vocais sutis (mas nada blasé) de Alyssa Aquino. Flertando com o Dream Pop de forma bem soturna e com um disco de estreia bem interessante, o Audac é uma daquelas bandas redondas que serve não apenas para mostrar o que pode ser feito dentro de um gênero relativamente desgastado como ainda quebrar preconceitos no processo. Vale a recomendação.



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WANNABE JALVA (RS)

Um dos casos mais patentes de grupos brasileiros que transitam quase que homogeneamente no plano nacional quanto no internacional, o Wannabe Jalva é um projeto extremamente curioso. trazendo uma sonoridade híbrida que é simplisticamente interpretada como indie (ou Uterus Space-Groove Rock, nas palavras dos próprios) e que revela uma amplitude diferenciada em seu abarcamento de elementos psicodélicos, ecos do Britpop, batidas hip hop e arranjos dinâmicos repletos de texturas, o quarteto porto-alegrense realiza um trabalho consistente e esteticamente apurado que se assemelha em riqueza e estilo a uma mistura peculiar de Franz Ferdinand com o Arctic Monkeys da fase AM (apenas para citar um exemplo facilmente identificável).


No entanto, a surpresa vem da maneira idiossincrática com que a banda ocasionalmente brinca com a própria caracterização, realizando quebras estilísticas substanciais num movimento que poderia soar digressivo, mas acaba por atestar sua autenticidade (vide o ótimo single realizado em parceria com Curumin). Tendo dois registros altivos no currículo (Welcome to Jalva e Collecture EP), o Wannabe Jalva é o tipo da projeto que poderia facilmente descambar para o genérico ou para a inconsistência, mas acaba despontando como uma das bandas mais empolgantes e imprevisíveis a surgirem na cena independente nos anos 2010 justamente pela forma com que brinca com o próprio senso de familiaridade. E isso é mais que suficiente para valer a recomendação.



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LAUTMUSIK (RS)

Com um dos nomes mais resolutos e autoexplicativos o possível, o Lautmusik (“música alta”, em alemão) combina pós-punk e shoegaze para formar um vórtex sonoro implacável e maravilhosamente retrô. Formado em 2006, o quinteto porto-alegrense cunhou um currículo parrudo com seus dois EPs (Black Clouds With Silvers Linings e A Week of Mondays) e discos (os ótimos Lost in the Tropics e Juniper), os quais registram a mistura de ambientações soturnas, espírito melancólico e timbres característicos que caracteriza sua sonoridade.


Com uma verve explosiva que trespassa todas as suas composições e o vocal magnético de Alessandra Lehmen à frente, o Lautmusik é um exemplar raro e sofisticado de um nicho musical que dificilmente é explorado no circuito nacional; quiçá com tamanha clareza e sofisticação. E o reconhecimento de figuras representativas do gênero (como Robert Smith, do The Cure). serve não apenas para ratificar sua qualidade, mas comprovar a pluralidade e reverberação das bandas independentes nacionais. Para ouvir alto e sem perdão.



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HURTMOLD (SP)

Possivelmente um dos maiores patrimônios em atividade no atual circuito musical nacional, o Hurtmold é o tipo de grupo que se configura como uma influência incontestável tanto por sua sonoridade quanto por sua metodologia de trabalho e durabilidade. Formado em 1998, o sexteto paulistano atualmente é reconhecido como um ícone independente por conta de sua mistura habilidosa de arranjos elaborados, harmonias potentes, criatividade aparentemente ilimitada e discografia titânica (formada por um apanhado virtualmente irrepreensível de álbuns, incluindo o antológico Mestro).

Com uma sonoridade expansiva que se ancora primordialmente no Rock com fortes elementos jazzísticos envoltos em tons psicodélicos, o grupo consistentemente surpreende pela forma como produz um som orgânico e pulsante que se revela sempre dotado de um experimentalismo imersivo e de uma precisão quase cirúrgica. Tendo transitado em inúmeros circuitos ao longo do país e sendo reconhecido como uma das melhores bandas brasileiras em atividade, o Hurtmold é uma dica obrigatória para todos aqueles que desejam conhecer o que há de melhor na música brasileira independente. E, admitindo o pecado que é este grupo não ser amplamente reconhecido, fazemos nossa parte para que este grupo sensacional seja difundido como merece.



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Dúvidas? Questionamentos? Recomendações? Participe enviando um email para roadtocydonia@gmail.com e fique de olho nas próximas postagens. Até a próxima edição.

Guilherme Guio
Guilherme Guio
Publicitário, especialista em Comunicação Corporativa e Inteligência de Mercado, é o editor e redator principal do RTC. Atuando como consultor de Marketing Cultural na produtora cultural SERENA (da qual é sócio), resolveu dar vazão aos seus arroubos verborrágicos através deste projeto. Também é tabagista compulsivo, cinéfilo inveterado, adepto de audiófilo e dançarino amador vergonhoso nas horas vagas.

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