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5 DISCOS #4 (09/18)

 

A série 5 DISCOS é uma forma de apresentar ao público alguns álbuns e compactos que foram considerados dignos de nota pela edição do Road To Cydonia.

Misturando estilos e sonoridades, a lista tem como intuito a difusão de tais trabalhos de forma econômica e direta, assim como incentivar a troca de informações sobre lançamentos que têm dado as caras no nos últimos tempos. Sem mais delongas, vamos à quarta edição:

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PASSAR RAIAR (Bernardo John, 2013)

Para quem conhece a persona artística de Bernardo John (Confeito da Mafalda, 2ois), esse seu primeiro trabalho solo não é nada menos que surpreendente. Apresentando uma faceta significativamente diferente do músico, Passa Raiar é um disco que atrai e envolve pela mistura de leveza e sensibilidade que apresenta. Da introdução suave de teor praiano (La Liga), passando por passagens dinâmicas suingadas (Te Echo De Menos e a sambesca Look Vintage) e momentos de criatividade inusitada (Compromisso, Anatomia) até culminar em uma parcela de faixas mais densas (as belas Quarta-Feira e Sol e Sangue), o disco constantemente subverte as expectativas ao manter um clima sempre agradável e variações sutis, tornando-se bem familiar e relativamente imprevisível ao mesmo tempo.

Curto e relaxante, Passa Raiar é uma ótima surpresa para aqueles familiares com seu autor e uma ótima pedida para os não-iniciados que desejam ouvir um som bem-feito e edificante.



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AURORA GORDON NA PONTE DA PASSAGEM (Aurora Gordon, 2015)

Segundo registro fonográfico do projeto liderado por Murilo Abreu (Solana), o disco Aurora Gordon Na Ponte Da Passagem é uma continuação do trabalho de resgate e registro de composições de músicos da contracultura capixaba dos anos 60 e 70 iniciado com o álbum Lamelombras Birinights. Produzido pelo próprio Abreu ao lado de Rodolfo Simor (Solana, SILVA), o disco apresenta uma miríade de faixas que evocam universos radicalmente distintas (basta comparar a groovesca Peter Banana, a solene Carrilhão e Namorada Sem Calçada) e que conta com a participação de diversos nomes notáveis originários do ES, como SILVA, Rabujah, Lucas Arruda e Fepaschoal. Ouçam que vale muito a pena.



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O QUE MEU SAMBA TEM (Rabujah, 2011)

Primeiro trabalho solo do cantor e compositor Rabujah, O Que Meu Samba Tem é um trabalho particularmente interessante: com 11 faixas que englobam pouco mais de 43 minutos, o disco representa tanto o processo de expansão artística de seu autor quanto uma aula de ecleticismo, transitando com fluidez entre influências e abordagens que vão de ecos do Samba Rock a Blues, Funk, MPB e à Psicodelia.

Produzido por Rodolfo Simor e seguramente ancorado na voz poderosa de Rabujah, o álbum é repleto de faixas admiravelmente contrastantes - além da faixa-título, a excelente Cleyton Cult, Sou Ninguém, Uma Valsa Barizon, Nada Que Mais e a assustadora Se Puder Me Ouça são algumas que merecem destaque - e de um espírito solene que se expande por meio das letras poéticas do compositor. Recomendado para todos que desejam conhecer bons artistas fora do padrão da Nova MPB.



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FELIZ FELIZ (Solana, 2008)

Relembrando esta pérola dos anos 2000, o segundo disco do quarteto capixaba Solana é uma obra concisa como poucas. Soando como uma narrativa sonora perfeita sobre o fim de um relacionamento e toda a jornada introspectiva resultante (que inclui indignação, resignação e aceitação), esse álbum conceitual representa uma experiência que merece ser apreciada em sua totalidade por conta de sua complexa progressão sonora (as canções gradativamente se tornam mais soturnas para retomarem um rumo ascendente no que poderia ser chamado de terceiro ato) e de seu caráter sombrio e irõnico (vide o título).

Trazendo belíssimas composições (As Perfeições do Desastre, Os Ventos do Largo e a soberba O Interior de um Edifício Debaixo do Mar) que formam um arco dramático sólido, Feliz Feliz é um disco sucinto e extremamente contundente que funciona tanto por conta de sua articulação elegante quanto por sua potência emocional. E isso já é o suficiente para valer uma escutada.



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LAVRADOR (Elton Pinheiro, 2012)

Trabalho que deveria figurar em praticamente toda lista de melhores obras brasileiras que ninguém conhece, o primeiro álbum do cantor e compositor Elton Pinheiro é, na falta de um termo melhor, um disco sublime. Mostrando a extensão do universo sonoro do músico capixaba através de composições belíssimas que se revelam intrincadas (musicalmente e liricamente) e fascinantes em iguais medidas, Lavrador é uma obra complexa e incrivelmente multi-facetada que se mostra precisa no equilíbrio que estabelece entre preciosismo técnico, sensibilidade e acessibilidade, causando admiração desde sua abertura (a ótima faixa-título) até seu fechamento solene (Amor do Mar).

Com uma parcela expressiva de faixas marcantes que formam uma síntese habilidosa entre elementos da MPB, de ritmos regionais e do Folk Progressivo (as instigantes Corte, Matador e Molambo mais as tocantes Madrigal, Chão de Rock e Manguinhos são ótimos exemplos) e se encontram fortemente ancoradas na voz delicada e no violão de Elton, o disco serve tanto como uma prova do talento colossal de seu autor (que, além de músico, é poeta e pintor) como ainda representa um dos melhores exemplares já resenhados no Cydonia. Rico, intenso e extremamente bem-realizado, Lavrador é um disco que merece ser ouvido repetidas vezes e se tornar amplamente reconhecido. Obrigatório.



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Guilherme Guio
Guilherme Guio
Publicitário, especialista em Comunicação Corporativa e Inteligência de Mercado, é o editor e redator principal do RTC. Atuando como consultor de Marketing Cultural na produtora cultural SERENA (da qual é sócio), resolveu dar vazão aos seus arroubos verborrágicos através deste projeto. Também é tabagista compulsivo, cinéfilo inveterado, adepto de audiófilo e dançarino amador vergonhoso nas horas vagas.

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