fundo parallax

5 DISCOS #6 (04/19)

 

A série 5 DISCOS é uma forma de apresentar ao público alguns álbuns e compactos que foram considerados dignos de nota pela edição do Road To Cydonia.

Misturando estilos e sonoridades, a lista tem como intuito a difusão de tais trabalhos de forma econômica e direta, assim como incentivar a troca de informações sobre lançamentos que têm dado as caras no nos últimos tempos. Indo diretamente ao ponto, vamos à sexta edição:

fundo parallax

SOUL RIVER (Headless Buddha, 2014)

Um dos discos independentes mais elogiados de 2014, Soul River é fruto da mente criativa de Mauro Sanches (aqui empregando a alcunha de Headless Buddha). Misturando Psicodelia, Lo-Fi, Garage e Space Rock, o artista carioca cria um trabalho intenso que transita entre diferentes paisagens sonoras à mesma medida em que constantemente aponta para uma transcendentalidade e para um movimento catártico ao longo das seis faixas do mezzo-EP.

E a intercalação de passagens contemplativas (Vision, Collide e A Stare Into the Abyss) com outras mais agitadas (Never Get What You Want e Mauro Kart) serve para transformar Soul River em um trabalho dinâmico que constantemente surpreende a cada virada. Recomendado para os fortes que não têm medo de viajar no som.



LINK OFICIAL
fundo parallax

AUDAC (Audac, 2014)

Trabalho de estreia do grupo curitibano Audac, esse disco epônimo é uma forte demonstração do diferencial que o grupo de indietronica apresenta diante de uma cena que se revela cada vez mais saturada. Explorando diferentes nuances do gênero ao longo de suas oito faixas e 32 minutos de duração, o disco intercala passagens oníricas mais discretas fortemente ancoradas no Dream e no Synthpop (Distress, The Bow River e Esprit) com instantes energéticos que dialogam com o Electrorock e com a Neopsicodelia ( vide a post-punkesca Dark Side e a ótima Real Painkiller), resultando em um álbum ágil e preciso que foge do supérfluo com elegância.


Trazendo uma salada mista de timbres, efeitos e arranjos minimalistas, Audac é o tipo de trabalho que merece ser ouvido por todos os fãs do gênero, assim como pelos não-iniciados e detratores. Vale a pena.



LINK OFICIAL
fundo parallax

INTROPOLOGIA (Medialunas, 2012)

Trabalho seminal que consolidou o Medialunas como um projeto digno da nota, Intropologia é um disco surpreendente. Trazendo as mistura de “Grungegaze” e idiomas (inglês, português e espanhol) que marca o trabalho do grupo, esse primeiro trabalho surge como um álbum legitimamente rocker que frequentemente impressiona a cada mudança de faixa.

Expressando a química existente entre seus membros e o potencial da formação reduzida, o álbum se revela imensamente evocativo através da sonoridade noventista e da exploração de influências. Com uma seleção cuidadosa de faixas marcantes (como Arboles de Navidad, a übergrungesca Slo-Mo Dancer, e as excelentes Chester, Cheese, Onion e Rotten Peaches) e uma verve indiscutível, Intropologia é uma pequena pérola a surgir no cenário independente nessa década e merece ser reconhecido como tal.



LINK OFICIAL
fundo parallax

LOST IN THE TROPICS (Lautmusik, 2011)

Primeiro álbum de estúdio da banda gaúcha Lautmusik, Lost in the Tropics é o tipo de trabalho que dá um chute nos seus ouvidos e não larga nem a pau. Mostrando toda a potência e fazendo jus ao nome do grupo porto-alegrense em sua mistura de pós-punk e shoegaze, o álbum traz 11 canções ao longo de quase 40 minutos num verdadeiro bombardeio sonoro que mistura baixos persistentes, guitarras rasgadas e vocais que oscilam entre o etéreo e o furioso.

Contando com uma boa parcela de faixas marcantes (Afraid to Fly, Jellybean e a faixa-título são bons exemplos), LitT surge como o elo perdido entre Siouxie and the Banshees e Joy Division, assim como um disco adequadamente curto e indiscutivelmente magnético que prova todo o potencial do rock que tem sido feito no underground brasileiro



LINK OFICIAL
fundo parallax

MESTRO (Hurtmold, 2004)

Trabalho seminal de uma das melhores bandas brasileiras experimentais em atividade, o quarto disco do Hurtmold é uma daquelas obras que merece ser periodicamente discutida e revisitada, sendo recorrentemente considerada seu magnum opus. Trazendo o sexteto paulistano em um de seus melhores momentos, o disco de 2004 suga o ouvinte numa viagem estranhamente contemplativa e profundamente imersiva que trespassa 9 faixas (virtualmente todas instrumentais) e 50 minutos de duração (versão européia)

Mostrando a versatilidade do grupo (vide as magníficas Mestro,Amarelo é Vermelho e Kampala) e seu talento inato para montar um clima etéreo envolvente mesmo com uma sonoridade mais discreta, Mestro traz uma série de momentos particularmente inspirados (Amansa Louco e a icônica Chuva Negra) e se revela incrivelmente eficiente ao criar uma sonoridade que se revela experimental e expansiva, mas nunca desfocada ou exagerada. Disco obrigatório para todos aqueles que se consideram fãs de Música.



LINK OFICIAL
 

Dúvidas? Sugestões? Reclamações? Entre em contato enviando um email para roadtocydonia@gmail.com ou mande uma mensagem diretamente na página oficial do site no Facebook. Conheça os outros conteúdos do site na página inicial e até a próxima edição.

Guilherme Guio
Guilherme Guio
Publicitário, especialista em Comunicação Corporativa e Inteligência de Mercado, é o editor e redator principal do RTC. Atuando como consultor de Marketing Cultural na produtora cultural SERENA (da qual é sócio), resolveu dar vazão aos seus arroubos verborrágicos através deste projeto. Também é tabagista compulsivo, cinéfilo inveterado, adepto de audiófilo e dançarino amador vergonhoso nas horas vagas.

Os comentários estão encerrados.