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Resenha: Mood Swings (ÓCIO, 2006)

 

Em seu disco de estreia, o trio capixaba ÓCIO mostra a força da sua sonoridade e do seu cinismo.


O ÓCIO nunca foi uma banda convencional, se podemos colocar dessa forma. Formado em 1999 , o trio capixaba passou por várias formações durante seus anos no cenário musical local, teve uma extensa estadia na Inglaterra com direito a incursões no cenário underground europeu e, em quase vinte anos de existência desde seu estágio embrionário, lançou apenas dois discos e um EP.

Com uma postura low profile e uma sonoridade bem peculiar (a qual dificilmente alcançará grande público, ainda mais no Brasil), é o tipo de banda que parece priorizar a experiência propiciada pela Música em vez de estabelecer-se como um grupo que direcionado para o sucesso comercial. E, talvez, seja justamente a união entre essas características e sua trajetória profissional que torna a banda tão singular. E toda essa caracterização idiossincrática pode ser observada em seu disco de estréia, o sensacional Mood Swings.

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Mood Swings é um disco conceitualmente bipolar, uma vez que as melodias agitadas e energéticas se contrapõem diretamente à visão pessimista exposta nas letras. E essa abordagem dicotômica acaba sendo um dos detalhes mais interessantes do disco e um de seus pontos fortes.

 


 

Impedido de ser um trabalho irretocável apenas pela presença da fraca The Unbelievable Pleasure of Frustration (a qual prejudica o ritmo do álbum), Mood Swings ainda é beneficiado por um fechamento (a solene Livingstone Road) que cria um equilíbrio interessante com a faixa de abertura. E o resultado final é um trabalho excepcional que, além de mostrar todo o potencial do trio, faz com que torçamos para que não tenhamos que esperar mais quatro anos por outro disco. O rock nacional precisa urgentemente de exemplos assim.

Guilherme Guio
Guilherme Guio
Publicitário, especialista em Comunicação Corporativa e Inteligência de Mercado, é o editor e redator principal do RTC. Atuando como consultor de Marketing Cultural na produtora cultural SERENA (da qual é sócio), resolveu dar vazão aos seus arroubos verborrágicos através deste projeto. Também é tabagista compulsivo, cinéfilo inveterado, adepto de audiófilo e dançarino amador vergonhoso nas horas vagas.

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