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Resenha: Mother of Invention
(Sabine Holler, 2017)

 

Com MOTHER OF TRANSITION, primeiro registro de sua carreira-solo, SABINE HOLLER apresenta novas facetas de sua musicalidade com uma mistura tenra de melancolia e doçura num exercício revelador de auto-consciência, liberdade e maturidade. (Screenshots: YouTube Oficial)


Sabine Holler é uma figura intrigante. Dona de uma trajetória surpreendentemente longa que soma a fundação da excelente Jennifer Lo Fi, contribuições com a Ema Stoned e a realização dos subestimados Fragile Arm e Mawn, a musicista paulistana constantemente impressiona com sua criatividade aparentemente inesgotável e sua evidente incapacidade de se acomodar musicalmente. Agora, mais de dez anos após o início de sua carreira, Holler lança aquele que pode ser visto como seu trabalho mais pessoal e maduro até então: Mother of Transition, disco que também lança sua carreira solo.

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Produzido pela musicista ao lado de Billy Comodoro, este compacto imediatamente chama a atenção pela forma com que se mostra um exercício estilístico coeso ao mesmo passo em que revela novas facetas de sua autora. Trazendo sete faixas que trespassam pouco mais de meia-hora, o disco é composto por composições homogeneamente eficientes que equilibram arranjos e texturas elegantes com letras dotadas de uma crueza emocional assombrosa, formando um composto que soa como uma mistura improvável (e altamente acertada) de Lisa Hannigan, PJ Harvey e Moddi.



Mais que isso: Mother of Transition também é um trabalho maravilhosamente melancólico que exprime densidade e potência em cada um de seus 34 minutos de duração. Da abertura hipnótica (Filtered My Voice) até a lullaby apaixonada que encerra a audição (Planetarium (Through Binoculars)), este registro constantemente contrapõe o clima compassado e imersivo das faixas com subtextos pesados, estabelecendo um mood contrastante que interliga as diferentes paisagens sonoras apresentadas com segurança e fluidez. E é interessante notar como que tracks tão díspares quanto a suave Everything I Want To Be, a popesca The Hanged Woman e a sufocante First Memory Captivity compartilham dum mesmo caráter intimista e profundamente confessional, mantendo a coesão da obra como um todo.

 

Trazendo sete faixas, o EP é composto por composições homogeneamente eficientes que equilibram arranjos e texturas elegantes com letras dotadas de uma crueza emocional assombrosa

 

Beneficiado pelas participações de Desirée Marantes (Cordas), Victor Vieira-Branco (Vibraphone) e Luccas Villela (Baixo e Bateria), este registro ainda ganha créditos por trazer a melhor performance de sua autora nos estúdios: imprimindo força e sensibilidade a cada uma das faixas, Holler cria uma sucessão de momentos catárticos alternados com instantes de doçura insuspeita (vide a björkesca Hot Sauce, a melhor do disco) ao mesmo passo em que apresenta nuances inusitadas em seu vocal. E fica clara a entrega total da musicista diante de seu próprio trabalho, tamanha a expressividade vista aqui.



 

Imersivo, viciante e classudo, Mother of Transition é um trabalho revelador que serve tanto para reafirmar o talento substancial de Sabine quanto indicar um caminho artisticamente amplificador para sua carreira solo. E se há algo que já está mais que claro em relação a esta artista tão fascinante é que sempre vale a pena esperar um próximo lançamento. Enquanto isso, vale a pena ouvir no repeat.


 
Guilherme Guio
Guilherme Guio
Publicitário, especialista em Comunicação Corporativa e Inteligência de Mercado, é o editor e redator principal do RTC. Atuando como consultor de Marketing Cultural na produtora cultural SERENA (da qual é sócio), resolveu dar vazão aos seus arroubos verborrágicos através deste projeto. Também é tabagista compulsivo, cinéfilo inveterado, adepto de audiófilo e dançarino amador vergonhoso nas horas vagas.

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