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5 SINGLES #7

 

A série 5 SINGLES é uma forma de apresentar ao público algumas faixas lançadas que foram considerados dignas de nota pela edição do Road To Cydonia.

Misturando estilos e sonoridades, a lista tem como intuito a difusão das composições de grupos e artistas de forma econômica e direta, assim como incentivar a troca de informações sobre talentos que têm dado as caras nos últimos tempos. Iniciando o ano de 2021 no site, vamos à sétima edição:

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DOCE AMOR (Rosa Chá, 2020)

Faixa de estreia do Rosa Chá, esta Doce Amor abre as atividades do grupo capixaba com um registro do Dream Pop que caracterizará sua sonoridade, servindo tanto como um primeiro contato com o ouvinte quanto uma consistente declaração de proposta estética. Trazendo uma vibe relaxante e descontraida por meio duma pegada super dançante inspirada por nomes como Daft Punk e The Weeknd, o single foi criado durante a pandemia a partir da reestruturação da banda PeladOS e da produção de Rodolfo Simor junto do selo Bravo LAB.

Contando com um groove marcante e uma base características de synths que embalam a voz suave do vocalista Guilherme Sadala, a faixa evoca uma relação baseada em dinâmicas de poder e na ideia do controle (inspirada pelo conceito dos Sugar Daddies) duma forma fluida e repleta de sensualidade. É um exemplar pungente e pegajoso que serve tanto como uma forma de apresentação altamente nítida, assim como um contraponto interessante aos sons mais soturnos que têm surgido durante o período da pandemia.



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PRECISO APRENDER A SÓ SER (Joana Bentes, 2020)

Um dos lançamentos mais recentes da ótima Joana Bentes, esta versão da faixa de Gilberto Gil mostra a cantora e compositora em uma de suas interpretações mais dinâmicas e sensíveis numa mesma levada. Produzida pela própria cantora, a releitura contrapõe a letra caracteristicamente introspectiva com um arranjo suave de ares dançantes que traz uma leveza improvável a uma canção fundamentalmente triste. O resultado não apenas revela uma finesse admirável como se revela surpreendentemente acertado e viciante no processo.


Reconfigurando a estética da faixa original ao mesmo tempo em que preserva algumas de suas características mais marcantes, esta versão de Preciso Aprender a Só Ser também revela uma crescente precisão por parte de Bentes enquanto autora e cantora, abrindo ainda mais seu universo musical ao mesmo tempo em que cria uma conciliação com seu próprio repertório de canções de forma hábil e reitera suas maiores qualidades. É uma versão sofisticada e altamente charmosa em sua concisão que não apenas ressignifica a canção original de forma interessante como dá um passo à frente na caracterização de sua intérprete.



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IT'S BEEN A WHILE (Pirikito, 2020)

Terceiro single do cantor e compositor Gabriel Muniz (mais conhecido como Pirikito) lançado em seu projeto solo, esta bela It's Been a While serve como mais uma prova da mistura de simplicidade, doçura e otimismo insuspeito que constitui o trabalho de seu autor. Retomando a ideia duma reflexão baseada em reminiscências e um senso de nostalgia edificante como base temática, o single representa mais um passo à frente para Muniz em sua construção de uma identidade artística sólida e de um discurso esperançoso que se mostra inegavelmente imbuído dum forte senso de humanidade que surge como expressão duma personalidade afável e inerentemente simpática.

Fruto da parceria recorrente com o produtor Rodolfo Simor e o núcleo Bravo LAB., o single é acompanhado por um clipe singelo e altamente evocativo novamente realizado de forma artesanal pelo próprio Muniz que não apenas combina perfeitamente com o espírito da canção como reverbera ainda mais por conta de sua concepção altamente intimista. Trabalho enxuto e direto que cumpre o que promete com sinceridade e alma.



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RETUÍTA (BORABAEZ, 2020)

Outro single de estreia presente nesta lista, Retuíta é a primeira faixa do duo BORABAEZ, formado pela produtora cultural, cantora e compositora Karola Balves ao lado de seu marido, o produtor musical Henrique Paoli (André Prando, Ana Muller, Rodrigo Novo e que aqui lança seu primeiro projeto pessoal). Com uma levada gingada e um arranjo repleto de camadas que vai se desdobrando de forma calculada e sempre ancorado na voz de Karola (a qual mostra aqui seus dotes musicais depois de anos trabalhando nos bastidores), a faixa funciona como uma cativante ode a um (necessário e altamente almejado) equilíbrio interno (ou a conexão entre corpo e cabeça, como a letra coloca) e de harmonia do indivíduo.

Amparado por um clipe dirigido pela própria Karola que, produzido pela produtora Perpétua, traz uma carga imagética digna de Jodorowsky (especialmente Poesia sem Fim) e registra o universo simbólico caleidoscópico de seus autores de maneira altamente simbólica, Retuíta é um lançamento evidentemente pessoal e instigante em seu caráter multinivelado e lúdico que serve como um ótimo cartão de visitas para seus autores. Inusitado tanto em sua configuração quanto em sua proposta, é um trabalho que vale repetidas audições enquanto se aguarda o que esta dupla promissora fará a seguir.



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MARUJO DA VERTIGEM (LERA, 2021)

Single que prenuncia a chegada do novo registro de LERA, projeto solo de Murilo Abreu, este Marujo da Vertigem serve tanto como um um sinal para o vindouro compacto de seu autor, como também uma amostra contundente da nova sonoridade do músico capixaba. Trocando o caráter minimalista e solene do EP anterior por uma estética soturna mais elaborada que preserva o caráter introspectivo previamente estabelecido (as referências mais próximas seriam o Beck Hansen da fase Morning Phase e Tomorrow Comes Today, do Gorillaz), a faixa (composta ao lado de Caê Guimarães) surge como uma meditação elegantemente contemplativa sobre um estado emocional marcado por um senso de deriva e busca por conexão.

Acompanhado por um belíssimo clipe que registra o caráter altamente simbolístico da faixa e seu peso emocional com perfeição, o vídeo dirigido por Diego Scarparo e produzido pela Global Village Criative + Executive (os quais colaboraram anteriormente com Abreu no clipe de Peter Banana, do Aurora Gordon) foi feito inteiramente num plano-sequência e se desdobra de maneira vagarosa até alcançar uma conclusão inspiradora tanto por sua contundência quanto por sua beleza plástica. Coeso, classudo e compenetrante, Marujo da Vertigem é um trabalho que não apenas reitera as qualidades do trabalho de seu autor como serve como um sinal altivo de sua reinvenção estética. Vale muito a pena conferir.



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Guilherme Guio
Guilherme Guio
Publicitário por formação, especialista em Comunicação Corporativa e Inteligência de Mercado, é o editor e redator principal do RTC. Atuando como consultor de Marketing Cultural, resolveu dar vazão aos seus arroubos verborrágicos através deste projeto. Também é tabagista compulsivo, cinéfilo inveterado, adepto de audiófilo e dançarino amador vergonhoso nas horas vagas.

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